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sábado, 26 de março de 2011

Níveis Diferentes de Cura

Podemos procurar um médico só para ter o alívio de algum sintoma, ou podemos procurar ter uma mudança profunda da vida e não só dos sintomas. Veja um exemplo do filme do Jack Nicholson.

Não estamos necessariamente prontos para a cura de algo que nos faz sofrer quando desejamos esta cura. Ir a um médico não quer dizer buscar a cura verdadeira. Pode-se buscar a cura dos sintomas, daquilo que incomoda superficialmente, ainda que o sofrimento ou a queixa que conduz ao médico seja algo muito desagradável e preocupante. Uma coisa é a cura dos sintomas outra coisa é a cura da vida.

Sintomas físicos ou mentais que uma pessoa apresenta num momento de sua vida podem ser uma forma dela estar na realidade. Há angústias ou sofrimentos emocionais que promovem alterações funcionais de órgãos em nosso corpo e daí surgem sintomas físicos psicossomáticos (no corpo mas originados na mente). Sintomas, portanto, podem ser conseqüência da necessidade daquela pessoa expressar pelo seu corpo aquilo que vai na mente conflitante. Pode ser uma forma de evitar se confrontar com sentimentos dolorosos e difíceis. É como se o corpo dissesse para a mente Então o corpo "absorve" o sofrimento mental no processo que chamamos de "somatização".

Parece que quanto mais uma pessoa somatiza, ou seja, "joga" para o corpo o que é emocional, mais ela se distancia da cura da vida e mais ela se afasta da percepção do que teria que ser enfrentado para ser curado de verdade. O processo de cura verdadeira precisa, em muitos casos, passar pela percepção consciente do indivíduo da causa do sofrimento, da verdade pessoal, para poder fazer-se novas decisões que serão saudáveis no estilo de vida.

Portanto, nosso corpo ajuda a mente a lidar com aquilo que a mente sozinha pode não estar capacitada naquele momento da vida a administrar. Pensamentos e sentimentos podem ser inconscientizados, podem ser suprimidos ou reprimidos inadequadamente. A pessoa pode escapar de pensar, perceber e refletir sobre certas condições de sua vida e como conseqüência não encontrar soluções construtivas. Isto provoca sintomas, que podem ser mentais, como ansiedade, pânico, fobia, depressão, obsessão-compulsão, etc.; ou podem ser físicos como, hipertensão arterial, enxaqueca, dores musculares, manchas roxas na pele, asma, queimação no estômago, diarréia, prisão de ventre, e tantas outras enfermidades psicossomáticas. Veja um exemplo.

No filme "Melhor é Impossível" havia uma garçonete que sufocava o filho que tinha asma. A asma é um sufoco, e aquela mãe sufocava a criança com super protecionismo. No fundo ela queria proteção para ela mesma. Como? Você pode dizer: "Se ela era tão ativa e independente como precisaria de proteção?" Quando ela chorou amargamente tomando consciência de seu vazio interior, de sua falta de um companheiro que a pudesse amar, ela pôde lidar com sua dor porque estes sentimentos que se tornaram conscientes estavam antes escondidos e aparentemente não a perturbavam, só que ela canalizava tudo para o excesso de cuidado do garoto. Ela sufocava o garoto que poderia ser uma maneira de tentar sufocar seus próprios sentimentos de solidão.

Assim que ela libertou o menino de sua excessiva proteção, ele começou a melhorar da asma. Ele foi deixando de ser sufocado pela asma e pela mãe. E a mãe se sentiu mais aliviada porque estava aprendendo a lidar com suas emoções difíceis conscientemente.

O menino já havia usado os melhores remédios para a asma nos Estados Unidos. Estava em tratamento convencional há tempos. Sem cura. A cura começou a chegar quando, finalmente, começou a acontecer a cura da vida. Dele e da mãe.

O paradigma anterior era: o menino precisa da mãe desesperadamente e diante de qualquer ameaça de perde-la ele piorava da asma. A mãe "precisava" da asma do filho para que sua vida tivesse um sentido, ou seja, para não precisar tomar consciência de suas dores emocionais pessoais. O paradigma posterior foi: o menino poderia receber o amor da mãe sem sufoco e a mãe poderia se acalmar e confiar na capacidade do menino viver sem sua superproteção, o que significa que ela poderia também viver com seus sentimentos mais difíceis em nível consciente e lidar com eles de maneira construtiva. Não seria mais necessário ter um sintoma físico na vida para viver. Esta é cura para a vida.

Menos do que isto é tratamento de sintomas, que tem seu lugar, mas que não resolve o problema básico da pessoa: autovalorização, intimidade afetiva, perdão, confiança, amar e ser amado.

Sintomas, portanto, podem ser conseqüência da necessidade daquela pessoa expressar pelo seu corpo aquilo que vai na mente conflitante. Pode ser uma forma de evitar se confrontar com sentimentos dolorosos e difíceis. É como se a mente dissesse para o corpo: "Você pode me dar uma ajudinha, pois este conflito aqui em cima está tão difícil para mim!" Então o corpo "absorve" o sofrimento mental no processo que chamamos de “somatização”, e a pessoa pode experimentar certo alívio mental, mas padecer fisicamente. Geralmente os especialistas médicos irão, então, tratar esta parte física comprometida. E a causa?

A Força e a Fraqueza de Cada Um: Somos Parecidos?

 


O que é ser uma pessoa forte emocionalmente? E o que é ser fraca? Somos sempre fortes? O fraco é sempre fraco? O que tem que ver autocontrole
emocional e força mental?

O que é uma pessoa forte emocionalmente? O que é uma pessoa fraca emocionalmente? Forte é a que trabalha muito e fraca é a que trabalha menos? Forte é a pessoa agressiva e fraca é a gentil? Forte é a que usa sempre a razão e fraca é a que usa mais a emoção? Forte é a independente e fraca é a dependente?

Indo ao ponto, a pessoa realmente forte emocionalmente é aquela que consegue controlar seus sentimentos ao invés deles a controlarem. Forte é a pessoa que pode ter emoções, mas não deixa que as emoções a tenha. Fortaleza emocional é um alvo, e, como a saúde em geral, ela é um processo. Você pode estar nele ou não. Depende do que faz consigo mesmo e com sua vida mental agora.

Uma pessoa, por exemplo, impulsiva, que primeiro faz para depois pensar se devia ter feito, que primeiro diz para depois pensar se devia ter dito, parece fraca em autocontrole, mas pode ser forte na espontaneidade do que sente e pensa. Em geral não esconde o que é. O impulsivo geralmente precisa de alguém perto que tenha a característica de ser mais racional. Então, quanto ao controle da emoção, o impulsivo é fraco, e quanto a sentir a emoção, o racional é fraco.

Marido e mulher podem ter uma espécie de acordo inconsciente desde que se casaram que funciona mais ou menos assim: ele é a razão, e ela é o sentimento. O marido (ou a esposa) pensa pelos dois e a esposa (ou o esposo) sente pelos dois. Quem é o forte e quem é o fraco neste caso? Ambos podem ter ambas características. O racional pode ser forte em controlar a emoção e, por exemplo, administrar melhor as finanças da família, porque não gasta por impulso. O emocional pode ser forte porque experimenta sentimentos que a família necessita viver, e assim pode dar um colorido ao relacionamento que a pessoa racional não sabe dar. Num casal nem sempre o mais emocional é a mulher.

Um problema que ocorre em muitos casamentos, entretanto, é que um dos dois (esposo ou esposa) pode viver o dia a dia da vida afetiva esperando que o outro esteja lá para ele. Este "estar lá" é como se o cônjuge fosse sua única âncora que dá segurança. Isto pode ser um problema pois pode gerar dependência ruim. E é algo mais comum do que se pensa entre os casais. A solução é este um que espera que o outro esteja lá para ele, aprenda a ficar mais saudavelmente independente, sem ficar esperando sempre pelo outro (amar, beijar, elogiar, acompanhar, conversar, transar, etc.). Aliás, o que é mais saudável, ser independente ou dependente? Existe alguém totalmente independente? Parece que não. Já viu um executivo “passar mal” quando a esposa e filhos decidem viajar num fim de semana sem ele que nunca tem tempo para sair com a família, quando ele não tinha nenhum problema de saúde antes da decisão da viagem? Ele não era externamente um executivo independente, agressivo, pró-ativo na empresa? Como é que passa mal quando a esposa diz que irá viajar sozinha com os filhos?

Uma mulher casada dependente emocionalmente e até economicamente do marido, quando este a abandona, ou morre, ou trai, ela sofre, mas pode ir sobrevivendo e tentando reagir na vida, e pode conseguir cuidar de si como nunca antes. Era fraca e agora ficou forte para enfrentar a vida.

Todos temos um lado forte e um lado fraco em nosso ser. Isto é verdade do ponto de vista emocional e espiritual. Neste sentido somos parecidos. Todos temos anjos e demônios influenciando nossa vida. Você, portanto, não é melhor e nem pior que outra pessoa de forma absoluta. Pode ser melhor numa área e pior em outra. Mas se você nega sua fraqueza, o tombo poderá ser feio ali na frente. E quando aceitamos nossa fraqueza, paradoxalmente podemos ficar mais fortes. Está se tornando forte quem está aprendendo cada vez melhor a lidar corretamente com suas fraquezas e mantém-se humilde com seu lado forte. Fora isto ou é dependência de quem não quer amadurecer, ou arrogância de quem nega suas fraquezas, sendo pessoas que ainda não aceitaram o fato de que nenhum ser humano pode ser tudo para nós. Falta desidealizar e assumir sua angústia pessoa.

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